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quarta-feira, 7 de março de 2012

Mochila de rodinha

Minha tia está com problemas vasculares periféricos decorrente de trombos venosos nas pernas.Como ela sempre foi ativa, o ato de ir ao mercado e trazer as compras já causava um ligeiro edema devido ao sobrepeso da carga mais o esforço.Sendo assim ela comprou um carrinho de feira para auxilia-la.
Não é um simples carrinho de feira assim:
Simples e tão comum nas nossas vidas.Não, minha tia comprou um carrinho tecnológico de oncinha estilo esse aqui:


O fato me recordou minha época de ensino primário.


Meu sonho era ter uma mochila de rodinha.Mesmo sabendo que elas estragam mais, ter uma era um artigo de status comparado atualmente com os celulares de ultima geração.Na época as condições financeiras não eram tão favorecidas(e ainda continua assim) para que meus pais pudessem comprar uma.Então eu ficava com inveja mas não deixava de valorizar as minhas mochilas do camelô ou as oferecidas pelo Estado,que foram apenas 2 na minha vida acadêmica toda (a partir da quarta série,a prefeitura iniciou o projeto de entrega de materiais escolares e na primeira remessa foram dadas mochilas).
Lembro de uma rosa que eu havia ganhado.Ela tinha os bolsos rasgados e eu costurei com linha branca.Me lembro de ser tão grande que eu me escondia atrás dela.E assim vieram as vermelhas, azuis,beges,pretas até chegar nas verdes,minha cor atual.
Voltando ao assunto das rodinhas, percebi este meu complexo ao ver o carrinho de feira da minha tia.Consequentemente me lembrei do que fazia nas mochilas de rodinhas dos outros.
O grande status de ter tal mochila era descer as escadas fazendo barulho quando mudava de um degrau ao outro.Sempre estava atrás do dono da mochila,chutando sempre que possível a mala (e não o mala do dono kkk) e é claro, disfarçando meu ato.Não sei se era maldade ou sacanagem da minha parte em contribuir com um feedback positivo naquele barulho todo ao descer escadas mas tive um dejá vú na hora quando vi o carrinho.


Eu e meus complejos

Moment of Brisa

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